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Perguntas mais frequentes sobre reparo e manutenção em transmissão automática - Parte 2

Confira a segunda parte das informações e esclarecimentos sobre reparo e manutenção em transmissão automática

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Por Da Redação


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Além das informações e esclarecimentos, esta matéria mostra a importância de se manter atualizado sobre o tema e aponta para os mais interessados uma boa oportunidade para agregar novos serviços de manutenção.

Segue a segunda parte das perguntas e respostas:

9- O sobreabastecimento causa ruptura dos retentores?

Não! A carcaça da transmissão é ventilada, evitando que a pressão interna aumente em áreas normalmente não pressurizadas. Um sobreabastecimento poderá aumentar o nível do fluido, de maneira que a transmissão perca este através do respiro ou vaze através dos retentores que estejam normalmente acima do nível de fluido, mas os retentores que estão sob pressão e os que normalmente não estão não alterarão esta situação devido ao nível aumentado de fluido.

10- Uma transmissão com gerenciamento eletrônico está apresentando funcionamento irregular. O que poderia ser?

Se você perceber algum problema de funcionamento, não assuma automaticamente que o problema está na transmissão. A central recebe informações de vários sensores, processa as informações, e então aciona os atuadores para que a transmissão execute suas funções. Frequentemente, o problema está em um destes sensores, uma conexão elétrica, ou massa do sistema. Neste caso, qualquer reparo executado na transmissão não resolverá o problema. Um bom scanner pode “ler” os códigos de falha armazenados na memória do computador e ajudar a apontar a origem da maioria dos problemas.

Assim sendo, é imperativo que o sistema de controle como um todo seja diagnosticado antes de se intervir na transmissão. Os veículos atuais são bem diferentes dos antigos em termos de tecnologia.

11- Ao rebocar um outro veículo ou equipamento, posso fazer isto com a alavanca em “D”?

Muitas transmissões não permitem o reboque em “D”. Contudo, algumas transmissões não possuem um limitador para este procedimento. Portanto, esta é uma chance de saber se a sua transmissão permite isto ou não, lendo o manual do proprietário. Enquanto estiver lendo sobre este assunto, aproveite para saber quais são os períodos recomendados de troca do fluido e filtro, pressão dos pneus, etc. Este manual é frequentemente ignorado, mas contém informações muito valiosas.

12- Com qual frequência se deve realizar a revisão no sistema de transmissão automática?

Os intervalos normais de serviço variam dependendo do uso do veículo e da temperatura de trabalho da transmissão. Quando você verifica o fluido periodicamente, note seu cheiro. Você perceberá um cheirinho de queimado bem antes dele começar a mudar de cor. E, quando você notar um cheiro muito forte de queimado, troque o fluido da transmissão. A quilometragem desde a última manutenção até a atual se tornará seu período de manutenção padrão.

Também, se houver uma quantidade muito grande de bolhas de ar no fluido, percebidas na vareta, é tempo de trocar o fluido.

A expectativa de vida do fluido está diretamente relacionada à temperatura de trabalho da transmissão. A temperatura média de trabalho da transmissão fica por volta de 100°C, mas a eficiência do sistema de arrefecimento de seu veículo e o tipo de condução vão determinar a expectativa real de vida do fluido. A 100°C, o fluido dura aproximadamente 150.000 km, mas para cada 6°C adicionais, a quilometragem total será reduzida pela metade.

13- Em um veículo automático, ocasionalmente o motor morre quando para em um semáforo, ou quando se coloca a alavanca da transmissão em “D”, logo após funcionar o motor novamente. Qual a causa provável deste problema?

Algumas vezes, um veículo automático, especialmente com tração dianteira, equipado com transmissão automática, poderá apagar o motor quando se parar em um semáforo, após o mesmo ter alcançado sua temperatura normal de trabalho.

Quando o motor é acionado novamente, e alavanca colocada em “D”, o motor imediatamente morre novamente. Este problema às vezes se repete até o motor esfriar. Isto é causado por uma embreagem existente dentro do conversor chamada “embreagem do conversor de torque” ou TCC, que está falhando quando deveria ser desaplicada pelo sistema. Esta embreagem serve para eliminar a patinação causada pelo acoplamento fluido entre o motor e a caixa e assim aumentar a eficiência do carro automático, semelhante à embreagem de um carro com câmbio manual.

O problema não ocorre quando o conjunto motor/transmissão está frio devido a um sensor de temperatura que impede a embreagem interna do conversor de torque ser aplicada antes da transmissão aquecer.

O cárter da transmissão deverá ser removido para se inspecionar quanto a resíduos causados por danos internos que poderiam estar contaminando o sistema. Se o cárter estiver relativamente limpo, então o solenoide que controla a embreagem do conversor pode estar defeituoso e deverá ser substituído. Somente em caso de emergência, você poderá localizar o chicote que alimenta a transmissão e desconectá-lo da mesma. Ele está localizado na frente da caixa de transmissão, nos veículos com tração dianteira, e pode ser localizado facilmente olhando-se a transmissão por cima. Numa transmissão com tração traseira, o chicote está localizado no lado esquerdo da caixa (lado do motorista). Uma vez que a caixa esteja desconectada, a embreagem do conversor de torque não será aplicada. O chicote permite outras funções da transmissão, e provavelmente a luz de diagnóstico da caixa, ou da caixa e motor em conjunto se acenderá, após se desconectar o chicote. Não dirija continuamente o veículo nestas condições. Este procedimento é somente para possibilitar a condução do veículo até a oficina. Se o sintoma continuar após o chicote haver sido desconectado, então existe um problema mecânico com o conversor de torque ou com a transmissão em si.

14- É válido trocar o fluido e filtro de uma transmissão automática com funcionamento irregular para ver o problema se resolve?

Não faça isso! A troca do filtro e do fluido é um procedimento de manutenção periódica que raramente elimina um problema já instalado. O que conseguimos com isto é eliminar pistas importantes que ajudariam na avaliação do problema.

Qualquer material presente no cárter será perdido, bem como a condição real do fluido. Os resíduos do cárter fornecem importante informação sobre o tipo do problema interno que possa existir, portanto não elimine evidências e avalie cuidadosamente a situação com a ajuda de um especialista.

15- Uma transmissão apresenta um engate demorado quando o carro é ligado pela manhã. Qual a razão?

Quando o veículo fica parado à noite, o fluido proveniente do conversor de torque retorna até o cárter da transmissão. Quando se dá a partida no veículo, demora alguns segundos para o fluido tornar a encher o conversor. O processo de “reenchimento” não ocorrerá totalmente até que a alavanca seletora seja posicionada em qualquer outra posição que não em “PARK”.

Esta ocorrência é normal em uma transmissão equipada com conversor de torque.

Também, se os coxins do conjunto motor/transmissão estiverem deteriorados, e a rotação da marcha lenta pela manhã for ligeiramente superior à rotação normal, haverá um tranco perceptível quando houver o engate da marcha à ré.

Se estes sintomas persistem mesmo após o veículo ser dirigido por alguns quilômetros, poderá estar ocorrendo algum outro problema com a marcha à ré.

Nota: existem alguns kits de correção desta ocorrência de trancos nos primeiros engates do dia.

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