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O impacto que a utilização de combustível adulterado causa no sistema common-rail

Motores de última geração, como é o caso do Fiat Ducato 2.3, sofrem mais com baixa qualidade de diesel, principalmente no sistema de alimentação. Acompanhe na matéria a seguir:

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Por Da Redação


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Para elaboração desta matéria, contamos com a ajuda da equipe da oficina SP-Diesel, localizada no bairro de São João Clímaco, na capital paulista.

Estiveram ao nosso lado o reparador e proprietário Sérgio Pereira de Oliveira, que possui mais de vinte anos dedicados à profissão, e também do reparador Vladimir Leme Moraes, que começou sua vida profissional na reparação automotiva na própria SP-Diesel, há cinco anos.

Para entender os defeitos causados pelo diesel adulterado, acompanhamos o caso de uma Fiat Ducato 2.8 TD do ano 2010 (FOTO 1) que estava com 95.650km rodados. Esta van da montadora italiana foi levada à oficina com problemas na partida, pois demorava muito a funcionar. Quando ela ligava, não conseguia desenvolver torque, ficando assim praticamente “sem força”.

Sérgio nos contou que: “Este é um defeito típico nos sistemas de alimentação common rail. Temos que começar a análise deste caso verificando possíveis danos aos filtros de combustível e entupimentos nas linhas de alta e baixa pressão”.

Quando expostas a um combustível de baixa qualidade, contaminado por resíduos ou solventes, os componentes internos das bombas e a linha de combustível costumam apresentar desgaste prematuro, acarretando sintomas como a dificuldade de partida e a perda de potência.

Dessa forma, Sérgio explicou: “Iniciamos a busca pelo defeito colocando um manômetro na linha de combustível de baixa pressão. Dessa forma, encontramos o primeiro sinal de falha, pois a linha estava atingindo picos de 6bar, enquanto o correto seria entre 2,5 a 3,5bar”.

“Algo estava restringindo a passagem do diesel entre a bomba de baixa e a de alta pressão. A bomba de alta não conseguia atingir a pressão ideal de funcionamento e, desta maneira, não atendia a demanda de combustível exigida pelo motor”, acrescentou Vladimir.

Para entender o que acontecia com a bomba de alta pressão (FOTO 2 e 2A), os reparadores efetuaram a remoção e desmontagem do componente.

Foto 1 e Foto 2

 ANÁLISE DA FALHA NA BOMBA DE ALTA

“Confirmamos o diagnóstico quando iniciamos a desmontagem do componente para identificar o que estava causando a restrição do combustível. Ao verificar a válvula de admissão de combustível nesta peça, constatamos que dentro do tubo condutor (FOTOS 3 e 3A) havia um elemento filtrante, uma espécie de “peneira” (FOTO 3B) que estava obstruída devido a resíduos do próprio combustível”, contou Vladimir.

Foto 2A e Foto 3

Foto 3A e Foto 3B

“Este “filtro” é um componente de segurança para a própria bomba, pois em situações em que há passagem de partículas ou até mesmo resíduos do sistema de alimentação, ela “teoricamente” teria que impedir a passagem deles para o interior da câmara de compressão da bomba, mantendo assim a integridade dos componentes internos da peça, como eixo de cames (FOTO 4) e os próprios pistões bombeadores”, acrescentou Sérgio.

Vladimir ainda explicou a extensão do dano causado pela utilização do combustível de baixa qualidade: “Infelizmente, o sistema estava tão comprometido devido à alta quantidade de resíduos no combustível que este filtro “de segurança” não conseguiu retê-los. O eixo de cames estava com diversos pontos “arranhados”, estas fendas no conjunto de cames acabaram prejudicando o funcionamento da bomba, pois quando o pistão agia sobre o came acaba havendo “fuga de pressão”. Isso é um dos motivos dos defeitos que havia no veículo, como a marcha lenta irregular e baixa eficiência na geração de torque”.

Sérgio nos contou ainda que o conjunto de bombeamento desta bomba possui duas válvulas, uma de sucção de combustível outra de pressurização (FOTO 5). Nesta última, há uma esfera pré-tensionada por uma mola (FOTO 5A) que impede que o combustível retorne, porém, devido à ação da contaminação do combustível, ela perdeu sua capacidade de vedação, sendo necessária a troca da peça.

Foto 4 e Foto 5A

“Devemos nos atentar às características dos componentes que retiramos, pois eles apontam a extensão dos danos do interior da bomba. Se houverem resíduos ou indício deste, significa que os filtros de combustível (FOTOS 6 e 6A) não estão funcionando corretamente. A utilização de filtros fora do especificado (peças paralelas de má qualidade), também podem ser um causador das falhas”, disse Sérgio.

Foto 6 e foto 6A

Vladimir nos orientou que sempre devemos realizar a manutenção preventiva deste componente, pois esta peça é uma das que mais “sofre” desgaste prematuro devido à utilização de combustível adulterado, pois este filtro está na “linha de frente” do sistema e a utilização do diesel contaminado é altamente prejudicial à integridade da peça.

COMO PROTEGER O SISTEMA

A maioria dos proprietários que possue este tipo de veículo realiza diversas viagens a serviço por dia, quem dirá em uma semana, mês ou ano. Assim, sem muitas alternativas de escolha, dificilmente podem fidelizar-se a um único posto de combustível. É aí que os problemas podem surgir.

“Devemos orientar os clientes a realizar sempre as manutenções preventivas do veículo, como neste caso, a troca dos filtros e a constante verificação da vazão das bombas de alta e baixa pressão. Estes componentes são primordiais para garantir o funcionamento do sistema, além de certificar de abastecer o veículo sempre em postos de bandeiras conhecidas e evitar aqueles mais suspeitos”.

Vladimir concluiu comentando: “A maior causa de danos da bomba de alta pressão (FOTO 7), além do já citado combustível, é a falta de manutenção preventiva. Assim, recomendo que sejam efetuadas estas verificações nas bombas a cada 40.000km e a troca dos filtros a cada 10.000km”.

Foto 7

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