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Kombi é avaliada aos 61 anos de idade

Na última mudança, talvez a mais significativa, a Kombi finalmente deixou para trás o motor boxer refrigera do a ar que só adquiriu injeção eletrônica a partir de 1997, quando o item se tornou obrigatório devido às leis de emissões de gases poluentes

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Por Marco Antonio Silvério Junior


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Agora o modelo conta com o moderno motor 1.4l da família EA111, a mesma dos 1.0l e 1.6l utilizados nas famílias Gol, Fox e Polo, que manteve a fama de manutenção simples e durabilidade dos motores a ar, quando bem cuidados, é claro. 

Arrefecimento
Muita atenção ao utilizar componentes de outros veículos equipados com o mesmo motor. A bomba d’água é um caso clássico, que foi explicado de maneira bem simples pelo conselheiro do jornal Oficina Brasil e proprietário da CobeioCar, de São Paulo, Cláudio Cobeio, ao contar o que ocorreu na sua oficina. Um cliente comprou uma Kombi 1.4, que rodava no interior normalmente. Porém, ao rodar no trânsito de São Paulo, o utilitário apresentou problemas de superaquecimento.

Depois de muito examinar, o reparador removeu a bomba d’água e a comparou com à de um Fox que estourou o radiador duas vezes. Foi então que notou diferenças nas aletas. Por coincidência, o Fox utilizava uma bomba da Kombi e a Kombi, uma bomba do Fox.

Como o radiador da Kombi está montado na frente é preciso uma bomba de maior vazão. A dica é observar as aletas na hora da compra, que, na bomba da Kombi, são praticamente retas e na do Fox tem uma grande inclinação.

A capacidade do sistema é para 12,3 l de água mais aditivo do tipo G12, como é chamado na VW. A concentração de aditivo na mistura deve ser de 40%, que representa 4,9 l. Para fazer a drenagem do sistema, o ideal é desconectar as duas mangueiras na parte inferior do veículo que ligam o radiador ao motor, abrir a tampa do reservatório e o dreno na parte superior do radiador para garantir que todo líquido seja escoado. Ao completar o nível, pressurize o sistema até que o líquido comece a sair pelo dreno e então o feche.

Injeção eletrônica e ignição

A potência do propulsor é de 78cv/80cv (gasolina/etanol) a 4.800 rpm, com torque de 12,5 kgfm/12,7 kgfm (gasolina/etanol) a 3.500 rpm. Os sistemas de injeção utilizados são Magneti Marelli e podem ser 4BV ou 4GV. Segundo o conselheiro e proprietário da AutoElétrico Torigoe, de São Paulo, Sérgio Torigoe, um jeito fácil de diferenciá-los, além da etiqueta do módulo, é verificando a existência do sensor de velocidade no câmbio, no caso do 4GV, que no 4BV é acionado pela roda dianteira.

Outra particularidade é o sistema de imobilizador que no 4BV, possui uma caixinha em baixo da capa do volante. Já no 4GV ele está integrado ao painel de instrumentos e em caso de pane precisa ser substituído por completo.

Para este sistema de injeção, é bom lembrar, aplicam-se os cuidados com a roda fônica do sensor de rotação e PMS que está posicionada junto à flange do vedador traseiro do virabrequim, que exige ferramenta especial para o correto sincronismo. Se ele for instalado incorretamente, o motor não entra em funcionamento.

O sistema também utiliza sensor de fase, localizado na tampa de válvulas, que possibilita a injeção sequencial e a correção da detonação em cada cilindro de forma independente.

Segundo os conselheiros Júlio Cesar e Eduardo Topedo, da SouzaCar e Ingelauto, respectivamente, ambos de São Paulo, o sistema de ignição exige atenção, pois quando a bobina apresenta fuga de corrente, acontece a desprogramação do corpo de borboleta e muitas vezes o veículo não funciona. Na coluna da edição de dezembro, André Bernardo recomendou a utilização de bobina original em caso de necessidade de troca, além de outras dicas importantes.

O membro do fórum Oficina Brasil ‘mekanicomineiro’ também salientou os problemas do sistema de ignição e alertou para tomar cuidado com umidade nos cabos de vela. Segundo ele, até uma lavagem por baixo pode fazer com que chegue água neste componente, o que causa falhas no sistema, exigindo a troca.

Os pedais foram modificados para receber o sistema E-Gas de acelerador eletrônico. Agora o de aceleração está na parte de cima, enquanto os outros permanecem no assoalho. É estranho, mas não atrapalha o acionamento. No lado da borboleta, pode haver oscilação de marcha lenta e perda de aceleração devido à formação de borra.

A lâmpada EPC no painel deve acender ao ligar a ignição e desligar após a partida. Caso fique acesa, indica falha no E-Gas, sensores do pedal de freio ou embreagem, chicote ou módulo de injeção.

Quando o módulo reconhece falha de ignição em um cilindro, realiza o corte da injeção de combustível no respectivo bico injetor para evitar danos ao catalisador, por isso é importante prestar muita atenção no diagnóstico. Para outras falhas graves de funcionamento, o módulo mantém uma rotação de 1.800 rpm para que o veículo seja levado até uma oficina ou um local seguro.

O sistema de alimentação de combustível trabalha a uma pressão de 4,2 bar com regulador de pressão dentro do tanque e retorno de combustível logo após o filtro de combustível, localizado ao lado do reservatório de partida a frio. A vazão correta da linha é de 3 l/ min.                                                         

Suspensão e direção
A suspensão traseira foi elogiada pela boa durabilidade e fácil manutenção. Já a dianteira recebeu críticas pela concepção antiga e dificuldade de reparos, como comentou o usuário do fórum “OB Higor”, do Rio Grande do Norte. O diâmetro de giro foi reduzido para 12,1 m, o que deixou a resposta aos movimentos do volante mais rápida, mas, por outro lado, há reclamações de instabilidade em velocidades mais altas.

Transmissão
A transmissão 081 do modelo a ar permanece, porém a relação do diferencial foi alongada em 5,5%, o que proporciona uma dirigibilidade mais dócil e permite rotação do motor mais baixa. Assim o consumo de combustível e o ruído são reduzidos e há aproveitamento da maior potência do motor.

No fórum “OB” houve crítica do usuário Anderson Zanol, da Auto Mecânica Zanol, quanto à escolha da VW em manter esta transmissão, principalmente quanto à nova relação do diferencial, que causa certa dificuldade para saída em aclives, reduzindo a vida útil da embreagem e da própria caixa.

O usuário ‘mekanicomineiro’ informou que teve diversos casos de quebra e embreagem queimada e chegou a substituir o conjunto coroa e pinhão pelo antigo 7:36, para reduzir este problema.

Francisco Carlos da Stilo Motores recomendou uma volta junto ao motorista do veículo para verificar o modo de condução, que pode ser um dos motivos para danificação da caixa.

O conselheiro Cláudio Cobeio também reclamou a falta da quinta marcha, assim como Daniel Pereira, da Auto Mecânica ARI e Emerson Reis, do Centro Automotivo Miltão, que indicou a correta regulagem do facão para evitar quebras na transmissão.  Outro ponto criticado foi o acionamento impreciso, porém é difícil imaginar uma solução com uma alavanca de 60 cm e um varão de 3 metros.

Incêndio
No Auto Elétrico Torigoe, acompanhamos o reparo de uma Kombi que sofreu um incêndio. Durante a avaliação, Torigoe informou que era a segunda unidade de uma mesma empresa para a qual a oficina presta serviços. Dessa vez foram danificados o chicote completo do motor, bobina de ignição e cabos de velas, reservatório de água, caixa, mangueira e filtro de ar, TBI, coletor de admissão (com flauta e bicos injetores), módulo e carcaça da válvula termostática, além, é claro, das mangueiras de vácuo e combustível.

Leonardo Campos, do Auto Elétrico Campos, também já realizou reparos em três modelos incendiados, com foco principal sempre no lado esquerdo do cofre do motor (visto da parte de trás do carro). Nenhuma delas apresentava o escapamento trincado, o que torna a hipótese do problema de trinca na flauta de distribuição de combustível (veja Box) uma possível causa do problema. Porém não há nada confirmado, já que as flautas se derretem com o calor do fogo.

Recall
Volks faz recall da flauta de distribuição de combustível
A Volkswagen convocou para recall os donos de Fox, CrossFox, Polo Hatch, Polo Sedan, Golf e SpaceFox 1.6 e Kombi 1.4 para verificar e, se for preciso, substituir a galeria de combustível. Ao todo, estão envolvidos na convocação 40.800 veículos. Segundo a empresa, foi detectado que o dispositivo, onde ficam montados os bicos injetores dos motores 1.6 e 1.4, pode apresentar fissura.

A ação tem como objetivo verificar a possibilidade de ocorrência de vazamento de combustível na peça, que envolve lotes do componente produzidos entre janeiro e março de 2006. Na Kombi, além da verificação e possível troca da galeria de combustível, será substituído também o amortecedor da direção, que pode causar dificuldade em manobras.

Recall escapamento
A Volkswagen convocou também 49.000 modelos de Kombi fabricadas nos anos de 2009, 2010 e 2011 que podem apresentar trincas no cano de escapamento, informando que, caso o veículo seja utilizado com essa trinca, poderá ocorrer a quebra do componente e em situações mais extremas, incêndios no compartimento do motor.
Veja os números de
chassis envolvidos:
2009: 9P 019 162 a 9P 999 999
2010: AP 000 001 a AP 999 999
2011: BP 000 001 a BP 013 884

 


 

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